Valores do Evangelho: a castidade (quarta parte)

19/08/2017

O corpo nos diz como amar

"Ao contrário, castigo o meu corpo e o mantenho em servidão, de medo de vir eu mesmo a ser excluído depois de eu ter pregado aos outros. (1Cor 9,27)

Viver castamente implica comprometer-se com a verdade do amor. A verdade do amor encarnado, que existe a partir da nossa natureza humana, ou seja através da nossa sexualidade.

Podemos amar somente "sexualmente", ou seja, somente a partir do nosso ser homens ou mulheres, somente a partir de um amor masculino e de um amor feminino. Não existe um amor assexuado, não existe um amor que não respeita a natureza recíproca entre o princípio masculino e o princípio feminino.

Cada gesto de amor pode ser pensado e realizado como gesto masculino ou feminino, mesmo o mais simples. Cada gesto de amor traz consigo nosso modo de encarnar o amor e quem ama preza continuamente de ser consciente disso, para que cada seu gesto seja sempre mais verdadeiro e purificado.

Cada nosso gesto, de fato, carrega consigo também nossas dificuldades de amar, nossos bloqueios, nossos traumas, nossas carências... Em cada nosso gesto tem arranhões do egoísmo que entrou na nossa vida, um egoísmo que é masculino e feminino.

A castidade é então a arte de amar como homens ou como mulheres. É a arte de acolher o amor do outro respeitando a linguagem do amor que a ele foi entregue. A castidade é a arte pela qual homens e mulheres podem se reconhecer não mais como adversários ou como objetos um do outro, e sim como auxiliares um do outro.

A castidade é a força que protege nossa sexualidade contra todo tipo de egoísmo, que entra na nossa vida para fazer do nosso corpo ao mesmo tempo vítima e carnífice de nós mesmos e dos outros.