Valores do Evangelho: a castidade (primeira parte)

22/08/2017

O corpo nos diz quem somos

Ou não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós, o qual recebestes de Deus e que, por isso mesmo, já não vos pertenceis?

1Cor 6,19

A castidade é aquela virtude que expressa a consciência de ter recebido o corpo como templo do Espírito. Através dela podemos envolver nosso próprio corpo, de uma forma muito concreta, na nossa missão de testemunha de Cristo.

A castidade então valoriza realmente nosso corpo, nos ajuda a ter uma visão equilibrada positiva dele, longe de visões que o menosprezam como se fosse apenas lugar do pecado e causa de perdição.

A castidade é chamada "conselho evangélico", ou seja, algo que Jesus viveu e que, portanto, consideramos como escolha coerente com o ser filhos de Deus. Jesus é o homem que sabe como ser plenamente homem, Ele nos revela a identidade autêntica do ser humano. Jesus sabe viver bem sua dimensão corporal, sabe usar o corpo para amar e expressar o amor.

Através da Encarnação do Filho, Deus soube viver plenamente a vida do próprio ser humano que criou... Não que Ele nos tenha feito incapazes de viver plenamente. Mas, por causa do mal que entrou no mundo, toda nossa natureza ficou afetada... a começar do corpo!

De fato, através do nosso corpo sentimos e guardamos. Registramos cada experiência e a partir disso construímos nossa história. Isto significa que nosso corpo registra tanto coisas boas quanto coisas más e fica diretamente influenciado por tudo isso. Todo nosso sistema corporal pode se tornar uma força descontrolada pela qual até podemos nos sentir ameaçados e perdidos, sem conseguir controle algum.

A castidade nos é dada como lei que regula tudo isso, que nos ajuda a discernir entre bem e mal com relação ao nosso corpo. Pois temos que ter muito claro: nosso corpo guarda dentro de si uma história profundamente ferida, guarda grandes desequilíbrios que a cada momento podem se despertar e nos condicionar.

Ao mesmo tempo nosso corpo nos foi dado para ser Templo do Espírito, para que através desse dom possamos construir uma nova história, possamos resgatar a herança que carregamos e transformá-la em testemunho de Salvação.