Uma ideia errada da política e uma ideia errada de Deus

23/10/2018

Uma história de equívocos perigosos.

Por que, enquanto dos púlpitos dos respectivos templos, tanto de pedra, quanto digitais, os profetas do fanatismo berram os mais incríveis impropérios contra seu próprio adversário religioso, depois, na hora do voto, o resultado é sempre o mesmo, isto é, o número 17?

O que une o mundo evangélico, sobretudo de influência neo pentecostal, com os católicos autoritários?

O que poderia unir o integrismo carrancudo e a soberba elitista da seita da batina preta, com a propaganda midiática e a descarada avidez das multinacionais da teologia da prosperidade?

Qualquer um logo falaria: "absolutamente nada". Ou, no máximo, um poderia concluir que a única coisa que eles têm em comum é basicamente o ódio recíproco...

Ao invés, a resposta está simplesmente no lema da campanha eleitoral do candidato número 17. Isto é, uma ideia errada de política, e uma ideia errada de Deus.

De fato, quanto à política, para uns ela se reduz a obreiro do pastor, para poder implantar melhor seu reinado; para os outros ela a espada que obedece às divinas vontades (que, contudo, saem de cabeças muito terrenas).

Assim, o primeiro equívoco fatal é o "Brasil" acima de tudo: não uma nação que se reconhece unida por laços de solidariedade fraterna, mas, pelo contrário, uma ideologia de poder pela qual sujeitar os adversários.

Continuando com o segundo erro, para uns Deus é o melhor dos negócios, inesgotável e sempre em alta; para os outros é o melhor feitiço que garante submissão e fidelidade.

Em consequência, o segundo fatal equívoco é "Deus" acima de todos: não o Mistério Santo revelado em Jesus Cristo que se faz último e servo da humanidade inteira, mas, de novo, uma ideologia de poder para dominar os adversários.

Afinal, o que anima os fanatismos são os equívocos de sempre, equívocos que sustentados pelos mesmos erros de sempre, as mesmas tragédias que deixam irremediavelmente o ser humano vítima de si mesmo.

Porque, afinal, as duas feras, estarão esperando do mesmo dono os botões do poder, cada uma cobiçando o mesmo delírio de dominação.