Sobre a excomunhão dos “comunistas”

08/10/2018

Não se deixe manipular: não existe nenhum partido pelo qual seu consenso acarreta a excomunhão!

Em vista das eleições políticas deste ano - e, possivelmente, ainda mais agora, para o segundo turno da eleição do presidente - percebeu-se uma campanha sistemática pela qual afirma-se que todo católico que votar num candidato filiado a partidos de esquerda será automaticamente excomungado, com base no decreto do Santo Ofício promulgado pelo Papa Pio XII em 1949.

Trata-se, infelizmente, de uma gravíssima operação de má fé finalizada a manipular a consciência do eleitor católico para induzi-lo a votar em partidos da direita, em particular no candidato do PSL. Isto porque o decreto de 1949 não é de forma alguma aplicável a nenhum dos atuais partidos de esquerda ativos no Brasil.

De fato, o Santo Ofício de 1949 determinava a excomunhão exclusivamente para todo católico que tivesse dado sua adesão ao ateísmo marxista. A lógica da pena de excomunhão, como também a situação de pecado grave atribuída ao apoio a organizações comunistas, está, portanto, vinculada ao ateísmo e não à adesão a um determinado sistema político. Isto é, o consenso a algum partido "comunista", ou esquerdista que for, não diretamente fundado no ateísmo, está excluído de tais penas.

Agora, ao menos entre os Países do Ocidente (entre os quais o Brasil), já há várias décadas não existe nenhuma força política que se identifique rigorosamente no princípio do ateísmo que é, na realidade, a única condição necessária e suficiente para considerar a aplicação da pena de excomunhão automática. Faltando a explícita adesão ao ateísmo como base sócio-política, não é possível invocar aquele decreto de 1949 para impedir aos católicos de dar o próprio voto a um partido, ainda que este se auto considere como "comunista".

Quem, portanto, ameaça hoje o eleitor católico de excomunhão para induzi-lo a votar em determinados partidos, o faz, ou em má fé, ou por grave ignorância, por ter sido ele mesmo manipulado. No primeiro caso trata-se de um ato gravíssimos contra a consciência dos "pequenos", um ato que os escandaliza, inculcando neles uma visão profundamente distorcida da vida cristã, algo que o próprio Jesus julga com a mais duras das formas: melhor seria que esse tal se amarrasse uma pedra ao pescoço e se jogasse no mar.

Tradução do aviso do decreto de 1949


Cúria do bispo de Piacenza

Depois do Decreto do Santo Ofício

AVISO

É pecado grave:

1º Inscrever-se ao Partido Comunista.

2º Favorecê-lo de qualquer forma, sobretudo com voto.

3º Ler imprensa comunista.

4º Propagar a imprensa comunista.

Portanto não é possível receber a absolvição se não forem arrependidos e firmemente dispostos a não cometê-lo mais.

Quem, inscrito ou não ao Partido Comunista, admite a doutrina marxista, ateia e anticristã e faz propaganda dela é

APÓSTATA DA FÉ E EXCOMUNGADO

E não pode ser absolvido a não ser que pela Santa Sé.

Quanto dito para o Partido Comunista deve ser estendido aos outros Partidos que fazem causa comum com o mesmo.

O Senhor ilumine e conceda aos culpados em matéria tão grave o pleno esclarecimento, pois está em perigo a mesma salvação da eternidade.