Reflexões para o voto do segundo turno de 2018

27/10/2018

A política não se reduz a escolher um número. Não significa identificar-se com quem nos convenceu e menos ainda significa projetar num candidato nossas próprias ideias e expectativas.

CORRUPÇÃO

É totalmente ilusório pensar que o problema da corrupção se resolva nas eleições, escolhendo um candidato no lugar de outro.

Não existe nenhuma solução política e judicial para o problema da corrupção. Apenas existe o caminho de uma decisão interior, corajosa e profética, uma conversão pessoal.

Ou cada eleitor escolhe para si mesmo um modo de viver que seja não corrupto e não corruptível, ou nada.

Isto porque, antes de tudo, a corrupção vem de uma decisão interior da pessoa. Decisão suscitada dentro de uma sociedade profundamente engajada com corrupção, que seduz e obriga as pessoas a se confirmarem com um sistema corrupto.

VALORES CRISTÃO E TEMAS NÃO NEGOCIÁVEIS

A Igreja Católica se propõe de evangelizar a sociedade humana iluminando, orientando e cultivando os valores do Reino.

A Igreja não se propõe de criar uma ordem civil diretamente gerenciada a partir da religião. A Igreja não visa à implantação de um Estado religioso e muito menos quer consagrar uma forma política como única via lícita para o governo das realidades terrenas.

Portanto a defesa dos valores do Reino (como por exemplo a luta contra o aborto etc.) deve acontecer dentro da pluralidade das orientações políticas e ainda mais a ação evangelizadora deve ser favorecida dentro todos os partidos voltados a contribuir à justa ordem democrática.

Votar em um partido não deve ser entendido como adesão cega à identidade daquele mesmo partido. Pelo contrário, o voto deve estar ligado ao compromisso de abrir caminhos para a evangelização daquela opção política abraçada por aqueles que estamos escolhendo.

Em consequência, é errado, e incoerente também, obrigar os cristãos a aderir a um único partido como se fosse o único autorizado por Deus a governar a sociedade. Isto porque o governo das realidades terrenas é contingente e pluralista por natureza.

SISTEMA SOCIOPOLÍTICO

O voto católico deve antes de tudo ser dado para garantir a ordem democrática da nação. Para que todas as vozes presentes sejam representadas. Para que não haja brecha a soluções autoritárias ilusórias.

O voto católico deve ser dado em vista da justiça social, para justas limitações dos interesses particulares, na consciência que, no mondo atual profundamente globalizado, a soberania das nações é limitada, antes de tudo pelos grandes poderes econômicos financeiros que influenciam e corrompem os governos nacionais.

O voto católico nunca deve ser dado a partir dos interesses particulares do eleitor, ou a partir de elementos parciais, mas considerando a globalidade da ação política sustentada pelos candidatos com relação à nação inteira, a partir dos mais pobres e excluídos.

ELEITORES QUE SE IDENTIFICAM POLITICAMENTE A ESQUERDA

  • É licito votar no Partido 13.
  • O voto ao candidato 13 acarreta numerosas incógnitas em nível ético e cultural.
  • O eleitor que vota 13 assume a responsabilidade de lutar e modificar todos os projetos políticos contrários aos elementos considerados pela Igreja como «não-negociáveis» (por ex.: aborto etc.).

ELEITORES QUE SE IDENTIFICAM POLITICAMENTE A DIREITA

  • Pode não ser lícito votar no Partido 17 (há dúvidas quanto ao respeito da ordem democrática).
  • O voto ao candidato 17 acarreta numerosas incógnitas em nível político, ético e cultural.
  • O eleitor que vota 17 assume a responsabilidade de lutar e modificar todos os projetos políticos contrários à ordem democrática e de não adotar a postura autoritária diante dos desafios ético-culturais.

ELEITORES QUE SE NÃO SE IDENTIFICAM POLITICAMENTE

  • É licito votar NULO.
  • O voto a um dos candidatos acarreta numerosas incógnitas em nível moral.
  • O eleitor que decide votar NULO assume a responsabilidade de contribuir para que hajam outros candidatos alternativos.