Pena de morte para toda mulher que abortar

02/10/2018

Eis aqui a lógica da nova agenda político-religiosa dos cristãos autoritários

Diante de uma sociedade repleta de injustiças, contradições e perigos mortais, a opção mais tentadora é jogar fora tudo e recriar de zero um espaço puro e íntegro, um espaço que possa ser preservado de todo tipo de influência mundana, imoral, irreligiosa...

Assim, por exemplo, acontece aquele curto-circuito interior que une luta contra o aborto com introdução da pena de morte, para matar legalmente todo aquele que mata ilegalmente... E tudo isso sob o véu sagrado da vontade divina, que garante um poder ilimitado a quem o possui.

Trata-se da tentação de querer uma religião capaz de amarrar o ser humano até o ponto de impedir-lhe de pecar, capaz de ocupa-lo 24h por dia para satisfazer todas as obrigações necessárias para que possa ter a razoável esperança de não ser destruído eternamente.

Ainda, trata-se da tentação de não enxergar nenhuma outra opção a não ser o castigo e a coação, na mais completa certeza (ou desculpa) de que o coração das pessoas, se for livre, só escolherá o mal.

Mas numa tal visão do ser humano, não existe nenhum tipo de bem sequer; existe apenas a obrigação de executar regras tidas como sagradas, regras que dispensam sempre do exercício da liberdade.

Por isso, nesta nova agenda político-religiosa, o messias que será colocado nos altares é alguém que torturou e crucificou todos aqueles que armaram contra ele.