Mais um dia Mundial das Missões

22/10/2017

Dai a Deus o que é de Deus. (Mt 22,21) 

Domingo dia 22 de outubro. Está para se encerrar o Dia Mundial das Missões deste ano de 2017. Um nome até estrondoso para algo que milhões e milhões de católicos nem escutaram falar. Nem hoje, nem nunca. E isto apesar do fato que esta recorrência já faz quase um século que foi definida...

Ainda a palavra "missão" é um termo ausente não tanto entre os bancos ou nos púlpitos das igrejas, quanto na compreensão da nossa fé. E isto é muito mais grave. Hoje em dia existem acerca de dois bilhões de cristãos no planeta: mas destes quantos entenderam mesmo que o sentido de cristão é igual a missionário? Sendo que Cristo é o primeiro entre todos?

Claro, tem muito mais... mas, assim, não tem apenas o restante da população mundial para evangelizar: precisa acrescentar dois bilhões de cristãos também. E isto a começar de quem está à frente do povo, de quem deveria representar Cristo, o missionário por excelência; a começar de quem teria o dever de proclamar a Palavra de Cristo, o missionário por excelência...

"Dai a Deus o que é de Deus". Assim termina o evangelho deste domingo, dia mundial das missões. É exatamente a segunda parte da resposta de Jesus ao pessoal dos fariseus, coitados deles, totalmente apegados ao dinheiro, eles como muitos outros...

É a segunda parte de uma frase que acaba sempre ficando na sombra, pois é a primeira parte que chama atenção pra nós... mas na realidade é esta segunda aquilo que mais está no coração de Jesus. É aqui que um toca mais diretamente o senso da vida que palpita no peito do homem da cruz.

Pois é Ele que sabe dar a Deus o que é de Deus. É Ele que sabe horar de verdade o Pai. E o faz dando a si mesmo, o faz vocacionando toda sua existência para o mundo, o faz testemunhando quem é realmente este Pai, revelando este Mistério totalmente incompreendido a começar do pessoal que tinha na frente, e depois desses, todos nós que fizemos de Deus apenas uma palavra de para-choque.

Assim, esta segunda parte deveria mesmo nos questionar neste sentido! O que é realmente de Deus? O que teria que devolver a Deus? De Deus é todo o amor, sem limites, sem condições que Ele me deu, em Cristo, pelo Espírito. De Deus é um amor contínuo e ilimitado que continuamente recebo e que nunca me faltará.

A Deus, este amor, eu devo dar. Devo para que não seja perdido, para que não seja tratado como a moeda de César que todo mundo quer, porque obscurecido totalmente pela ganância. Devo dar porque está na natureza do amor o dar-se, o se fazer dom. Devo dar a quem me representa agora Deus, da forma mais pura e sagrada: o outro, o pequeno, o pobre, aquele que é Deus pra mim agora, e que espera, de mim, este amor de Deus, agora.