Correção Fraterna

10/03/2018

Aumentam, se aprofundam e se alastram as polêmicas sobre vários assuntos ligados à atuação da CNBB e muitas pessoas estão me perguntando sobre esta questão. Pessoalmente não tenho todos os elementos necessários para entrar no específico de cada situação.

Uma coisa é certa: se já no nível paroquial e de suas comunidades é muito difícil edificar um verdadeiro senso de família eclesial, onde as pessoas, antes de tudo, aprendem a se amar e a se promoverem uma a outra, ainda mais isso é difícil em nível diocesano e nacional.

O primeiro elemento que em tudo isso vem à tona é a grande falta de caridade fraterna dentro da própria Igreja. Ainda as pessoas se ocupam apenas com o defender sua razão, sua ideia, sua doutrina, sua corrente de pensamento, seu partido etc.

Mesmo quando se declara de estar defendendo a verdade, defendendo a fé, defendendo o que tem de mais sagrado, tudo isso acontece de forma muito agressiva, sem amor, sem compreensão, sem um explícito desejo de se colocar no lugar do outro.

Pelo contrário, a tendência é sempre aquela de radicalizar a suspeita e estendê-la muito além dos fatos contestados, querendo demonstrar a existência de maquinações de todo tipo, de interesses ocultos encobertados em todos os níveis.

Com isso tudo, estamos apenas dando prova de não ser "católicos" por nada, ou seja, de não estar dispostos, antes de tudo, a abraçar o outro, mas, ao contrário, a apontar o dedo e a acusar, fazendo isso em nome de Cristo, como se Jesus tivesse feito o maior escândalo na hora em que foi processado e condenado.

Também o católico parece mesmo não estar absolutamente pronto para interagir nas redes sociais. Facilmente se envolve na multiplicação de escândalos e brigas, quase sempre com um palavrório indigno, deformando e desentendendo a doutrina e o sentido que a doutrina deveria sempre transmitir (o amor).

Não significa querer impedir a crítica e a denúncia. Somente parece que esteja faltando profundamente a capacidade de fazer isso com amor e com coração autêntico, porque quando falta amor, é porque tem sempre outros interesses por baixo a manipular nossas mentes, nossas palavras e ações.

Falta, no entanto, dramaticamente, o interesse a promover e a desenvolver ao máximo o bom que está escondido, falta a vontade de gastar o tempo e as forças antes de tudo para valorizar aquilo que a Igreja consegue oferecer hoje à humanidade.