8. Um questionamento de base

26/09/2019

Confundir o real com o imaginário

Por que as diversas realidades da Igreja presentes na região Pan-Amazônica e aqueles que se ativaram para participar ao processo pré-sinodal parecem de prevalência estar ligados ao "mundo progressista"? Por que todo processo de preparação do Sínodo aparece articulado somente por forças consideradas "progressistas"? Por que o "mundo conservador" parece estar fora das realidades da Pan-Amazônia colocando-se apenas como oposição externa? Por que a agenda do Sínodo não traz questões tipicamente "conservadoras"?

Estas perguntas reconhecem, antes de tudo, que "mundos conservadores" e "mundos progressistas" são profundamente alheios uns aos outros. Quem se sente parte de um lado desconhece totalmente o outro e tem apenas uma visão totalmente ideologizada que impede qualquer tipo de compreensão real.

Estas perguntas, porém, apontam também ao fato que a região Pan-Amazônica não pertence concretamente aos "mundos conservadores", porque tem características diferentes, porque está ligada a sensibilidades alheias à "sensibilidade conservadora", tem exigências, problemas, emergências, como também valores e sonhos que são desconhecidos e ignorados por esta "sensibilidade conservadora".

Estas perguntas mostram que os "conservadores" tem o próprio estereótipo da região Pan-Amazônica, algo que apenas pertence ao imaginário cultural e religioso deles, e, a partir desse imaginário, eles fazem próprias afirmações, sem minimamente duvidar que esse imaginário em nada corresponde à verdadeira região Pan-Amazônica, que, ao invés, o próprio Deus criou e conhece.

Por causa disso, a visão "conservadora" da Igreja na região Pan-Amazônica nunca poderá corresponder com aquilo que a Igreja é na região Pan-Amazônica. Trata-se de uma visão que só existe num imaginário religioso de pessoas "conservadoras", mas que não tem a menor correspondência no plano da realidade.

Também por isso existe o Sínodo! Para ajudar os cristãos a sair do próprio mundo imaginário - ligado ao seu bairro e ao seu idioma, ao seu clima e à sua culinária, à sua história e às suas espertezas - dentro do qual, de preferência, preferem ficar e argumentar.