3. O grande risco a ser evitado

20/07/2017

O grande risco do mundo atual, com sua múltipla e avassaladora oferta de consumo, é uma tristeza individualista que brota do coração comodista e mesquinho, da busca desordenada de prazeres superficiais, da consciência isolada. Quando a vida interior se fecha nos próprios interesses, deixa de haver espaço para os outros, já não entram os pobres, já não se ouve a voz de Deus, já não se goza da doce alegria do seu amor, nem fervilha o entusiasmo de fazer o bem. Este é um risco, certo e permanente, que correm também os crentes. Muitos caem nele, transformando-se em pessoas ressentidas, queixosas, sem vida. Esta não é a escolha duma vida digna e plena, este não é o desígnio que Deus tem para nós, esta não é a vida no Espírito que jorra do coração de Cristo ressuscitado.

Papa Francisco, Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, n.2

Ser missionário é desistir de qualquer olhar negativo, de qualquer atitude de condenação para com a realidade que está ao nosso redor, pois, em primeiro lugar, o missionário não se desvia da busca de sua própria conversão interior.

Não há tempo para reclamar dos outros, para apontar o dedo contra pessoas que somos chamados a abraçar para que elas também possam acolher a "vida no Espírito que jorra do coração de Cristo ressuscitado".

A primeira denúncia do mal, o único modo que o missionário tem de lutar contra seus perversos efeitos, é sua íntima escolha de Deus, o "sim" interior e escondido a uma vida cristã autêntica, a humilde contribuição para sermos uma Igreja que mostra a presença viva de Cristo Jesus.