3. O drama continuamente consumado na Igreja

26/09/2019

Reduzir a fé à ideologia

Numa única coisa, o fariseu e o zelote se encontraram unidos: o assassinato de Jesus realizado pelos poderosos de plantão. De fato, tanto o modelo "conservador" quanto o "progressista" constituem uma interpretação simplificada, reduzida e ingênua da realidade.

Cada modelo tende a ser autorreferencial (isto é, não reconhece nenhuma verdade fora de si), autista (isto é, incapaz de alteridade, fechado em sua própria autoafirmação) e radical (isto é, visa eliminar todas as instâncias adversas sempre consideradas como um mal absoluto).

Na medida em que uma pessoa se identifica e se fecha em um dos dois sistemas de compreensão da realidade, a outra automaticamente se torna uma ameaça e um inimigo. Com isso, essa se torna incapaz de comunicar e reconhecer quem é diferente, porque usa o preconceito como sua forma de linguagem, eliminando a possibilidade de ouvir e entender; torna-se escrava de uma ideologia que seguirá cegamente, eliminando todas as formas de autocrítica.

De fato, tanto para o "conservador" quanto para o "progressista", a verdadeira comunhão na Igreja se perdeu, porque ambos não podem que concebê-la consigo mesmos, dentro dos limites estreitos de seu próprio modo de entender a realidade e a vida.

Assim, o Magistério da Igreja não é simplesmente o resultado da reflexão conjunta de pessoas que tentam enfrentar a todo momento a força atrativa destes dois polos ideológicos opostos, terminando por elaborar uma reflexão equilibrada sobre a fé que possa satisfazer da melhor forma possível a visão "conservadora" e a "progressista".

O Magistério é chamado, antes, a uma verdadeira escuta da realidade humana e do Mistério que nela vive sem nunca se deixar enganar pelos dois modelos opostos, a fim de realmente se encontrar, e então poder doar o encontro, com a verdadeira pessoa de Jesus Cristo viva na Palavra e no homem.

Reconhecer-se como "conservador" no lugar de "progressista", ou vice-versa, sempre corresponde a matar a razão e criar um muro intransponível entre o homem e sua realidade humana, entre o homem e Deus, entre a Igreja e o Mundo, reduzindo a fé à ideologia, justificando a pequenez do coração com supostas necessidades religiosas.