12. A verdade através da alegria

20/07/2017

Somente graças a este encontro - ou reencontro - com o amor de Deus, que se converte em amizade feliz, é que somos resgatados da nossa consciência isolada e da autorreferencialidade. Chegamos a ser plenamente humanos, quando somos mais do que humanos, quando permitimos a Deus que nos conduza para além de nós mesmos a fim de alcançarmos o nosso ser mais verdadeiro. Aqui está a fonte da ação evangelizadora. Porque, se alguém acolheu este amor que lhe devolve o sentido da vida, como é que pode conter o desejo de o comunicar aos outros?

Papa Francisco, Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, n.8

A alegria do missionário tem toda a seriedade da cruz de Cristo... tem todo o peso que Jesus carregou até o Calvário! A consciência mais clara do missionário é que sua alegria corresponde ao estar diante da cruz em silêncio... corresponde ao sangue e água derramados por um coração que acabou de dar sua última batida...

A alegria do missionário é o reflexo mais autêntico da fé que o Mistério Pascal nos oferece, é a resposta mais reverente diante de tudo aquilo que o Cristo padeceu em silêncio... de certa forma é o modo que nos é dado para testemunhar que aquele que sofreu a morte é realmente Deus, não apenas um homem.

A alegria do missionário realmente atesta que Aquele que entrou e passou através das trevas, até o último recurso que o mal pode conseguir contra nós, saiu vitorioso, vivo, vivo para sempre, dando-nos, em primeiro lugar, a autoridade de uma alegria invencível, dando-nos o mandato de celebrar em cada instante que a vida venceu a morte.

A alegria do missionário é o testemunho perene que a fé é esvaziada por completo quando se quer evangelizar através da fuga do mundo, do medo, da ameaça do castigo, do apelo ao dever religioso, da cobrança de sacrifícios, penitências, austeridades... coisas todas que deixam de lado, ou, até, fazem esquecer e desacreditar que "Deus é amor".