Cinco anos de ministério é mesmo um tempo muito breve, mas, igualmente, um tempo que a graça de Deus pode tornar muito grande e importante. É um tempo, e uma oportunidade, que conduzem a pensar e a meditar sobre a história, sobre o caminho percorrido até então...

Mais de 30 anos atrás começava a me confrontar com a figura do sacerdote. Naquela época vivia no ambiente em que estava sendo criado: um pequeno povoado de interior, um lugar lindo, marcado pelos sinais da fé, sobretudo vivificados por pessoas que traziam os anseios do mundo, de povos e nações longínquos, mas que o anúncio do evangelho parecia aproximar de uma forma tão próxima e urgente que não podia que me deixar questionar.

Assim, desde aquele tempo remoto, nasceu em mim o desejo de poder ser missionário, o desejo de poder doar o evangelho até os confins do mundo, saindo do meu lar, do meu país e da minha cultura.

Um desejo que, ao mesmo tempo, deixei de cultivar, mas que permaneceu quase que escondido ao longo das várias etapas de vida pelas quais passei, até se tornar escolha concreta e definitiva, tanto com o sacramento da ordem, quanto com a íntima escolha de dedicar todas as forças para o Evangelho, lutando para que este "sim" seja renovado e purificado a cada dia.

Ser padre significa ser uma pessoa que, de forma muito particular, se deixa interpelar pela Palavra de Jesus, mostrando, não apenas através dos gestos sacramentais da Liturgia, que esta Palavra sempre ressoa em nós como uma voz viva, que sempre nos alcança como desconhecida, até alheia, pedindo e suscitando em nós uma confiança profunda, uma empatia radical, que conquista nossa vontade para que esta possa desejar e abraçar algo que nos parece, aliás, nos é, totalmente impossível.

Ser padre significa querer a conversão diária, querê-la para si, para poder anuncia-la ao mundo, para que, nesta missão de representar a própria pessoa de Jesus, esta humanidade que carregamos volte a ser profecia que alcança o coração ferido dos irmãos, para que as mãos que foram consagradas ofereçam continuamente tempo e forças transformados em misericórdia.

Ser padre significa ser pai e ser irmão de todos, significa se reconhecer em algo que nunca poderemos ser com nossas próprias forças, recebendo algo que não merecemos e que continuamente gera vida nova; algo que nos conduz para fora de nós mesmos, para ser aquilo que precisamos nos tornar, dando espaço a um mistério que vai conduzir nossos passos, segundo a medida da nossa entrega e da nossa confiança.

Padre André Vascon