A minha alma engrandece o Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador. (Lc 1,46-47)

Tudo para me mostrar um único rosto e um único nome
e, assim, poder desaparecer a qualquer hora com Ele

Completo 6 anos de padre. Um tempo ainda breve para poder me considerar experiente. Um tempo já suficiente para mostrar um rosto e um caminho a ser percorrido.

Cresci com uma visão do padre como de uma pessoa que consegue entrar em todas as casas, alguém que chega sempre em nome de um amor maior ao qual não se pode negar confiança. Alguém que sempre desaparece para deixar o lugar a um Outro que, ao invés, está continuamente presente.

Cedo me dei conta que o que mais anima e alegra o coração desse padre é a felicidade de quem ele pode servir: pessoas que se reconciliam, rostos que começam a sorrir e a se iluminar, abraços trocados em lágrimas... Mil gestos diferentes que mostram a força misteriosa do amor, capazes de dar esperança e vontade de acreditar.

Cresci sem nunca separar o padre do missionário. Mesma identidade. Mesma missão. Mesma roupa: aquela de quem lhe foi confiado. Qualquer canto é o seu lar. Qualquer rua conduz para casa. Qualquer hora é boa para receber seus próprios familiares, ainda que batam à sua porta pela primeira vez na vida. Qualquer horizonte aponta a um novo caminho para abrir e começar. Qualquer pessoa lhe traz a oportunidade de entrever o infinito e, só por isso, encontrar descanso e forças renovadas.

Nesse padre me encontrei, mesmo descobrindo, imediatamente, que isto e aquilo preciso tirar de mim. E quanto mais tento tirar, mais coisas acabam se acumulando. Quanto mais procuro me aproximar dele, tanto mais novos passos percebo precisam ser dados.

Mas tudo começou sentindo no coração, ainda menino, o convite a lançar a vida nesse mistério, sem pensar duas vezes, sem calcular, sem imaginar. Ainda que tenha demorado 20 anos para me decidir, continuo contente por ter conseguido dar um pequeno "sim". Continuo cheio de gratidão por poder experimentar o mistério que opera através de cada detalhe da minha história.

O bonito e o tremendo do padre é poder conviver continuamente com Jesus antes e depois da Missa, fora dos lugares sagrados, fora do rito, celebrando a única liturgia que o homem da cruz conhecia: a vida ordinária que o levou a doar tudo de si de uma forma totalmente escondida e despercebida. O bonito e o tremendo do padre está na possibilidade de dar-se conta de quanto o Evangelho precisa ser encontrado em cada instante, em cada olhar, em cada situação, por quanto desastrosa e horrível que for.

Pensando a 6 anos de padre só vem na mente rostos e rostos. Só escuto as palavras de cada um. Só enxergo uma cena feita de milhares de cenas diferentes, porque em cada uma o coração estava por inteiro e não ficou despedaçado, ou dividido. Sempre foi devolvido por Aquele que marca as coisas na agenda e arruma o tempo para outra destinação. Tudo isso para me mostrar um único rosto e um único nome e, assim, poder desaparecer a qualquer hora com Ele.


Pe. Andrea Vascon